quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Exposição, palestras e lançamento de livro marcam início da III Celebração das Culturas dos Sertões, em Ipirá



A III Celebração das Culturas dos Sertões, que acontece este ano em Ipirá, no território Bacia do Jacuípe, foi aberta na manhã desta segunda-feira (13), no Centro Cultural Elofilo Marques. O evento é uma iniciativa da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) e, desde 2012, tem reposicionado as culturas sertanejas na agenda política e cultural do estado, através de programações diversificadas. A abertura contou com a presença do secretário de Cultura do Estado da Bahia, Albino Rubim; do prefeito Ademildo Almeida, do diretor do Campus I da Universidade Estadual da Bahia, Fábio Correia; da secretária de Educação, Ramistela Santana; do vereador, Arnon Santana; e de representantes dos artesãos e de empresários do couro.

Em convergência com o “Ipirá Couro Show”, evento que reúne expositores e empresários de produtos derivados do couro da cidade e região, a realização da III Celebração em Ipirá, nesta época, destaca o viés cultural do sertão de acordo com o secretário de Cultura da Bahia, Albino Rubim. “Quando planejamos o evento aqui, foi com o intuito de mostrar, apreciar e refletir a cultura sertaneja em um lugar onde a cultura do couro é tão forte e tem uma relação profunda com o povo do sertão. Até porque fomos o primeiro estado a reconhecer o ofício de vaqueiro, figura importante para a construção do Brasil”, declarou. Sobre o reconhecimento, a diretora geral do Instituto de Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia, (IPAC), Bete Gândara, lembrou que o “ofício de vaqueiro é patrimônio imaterial do estado, registrado em 2011, e assinado em Feira de Santana em 2012, sendo, na ocasião, inscrito no Livro de Registro Especial de Saberes e Modos de Fazeres, do IPAC”.




Programação na terra do couro

Pela manhã, o público apreciou o acervo da Exposição “Imagens dos Vaqueiros da Bahia”, que reúne pequena mostra do material fotográfico do projeto “Histórias de Vaqueiros: Vivências e Mitologia”, coordenado por Washington Queiroz, com fotos de Josué Ribeiro, Bauer Sá e Elias Mascarenhas, cuja pesquisa de campo foi realizada em diversos municípios do sertão baiano entre 1985/91. O evento seguiu com a palestra “Economia Criativa”, a diretora de Economia Criativa da SecultBA, com Carmen Lima. Durante pronunciamento, a palestrante enfatizou que “toda manifestação cultural tem seu viés econômico” e deu exemplos de como a economia criativa pode criar oportunidade de negócios na região.

Já o poeta e antropólogo, Washington Queiróz, ministrante da palestra “A Civilização do Couro- História e Vaqueiros”, atentou para a necessidade de manter e registrar sistematicamente os bens físicos, móveis, imóveis e arquitetônicos da “época dos currais”, que têm o couro como matéria-prima de diversos produtos, a fim de contribuir para a historiografia brasileira. “Para se ter ideia, o único traje vivo e em uso do Brasil colônia é o do vaqueiro”, contou. Queiróz exibiu o filme “Profissão de Vaqueiro” que conta a viagem de vaqueiros da região para Brasília a fim de participar da sessão de votação, no Senado, que aprovou a lei que reconhece o ofício de vaqueiro como profissão.

O evento seguiu com o lançamento do Livro Cultural do Sertão, que apresenta 16 artigos de pesquisadores do tema, organizado pelo professor Alberto Freire. Os artigos foram apresentados nas duas primeiras edições da Celebração e mostram múltiplos olhares sobre o sertão.

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